A menina que roubava livros.

| 03/10/2013 | 2 Replies

O cenário é a Alemanha nazista, e a narradora, ninguém menos inesperado que a própria Morte. “A menina que roubava livros” escrito por Markus Zusak é, inegavelmente, um livro interessante, inteligente e belo, com um tipo de doçura que toca as almas de seus leitores, assim como a Morte as retira de seus corpos, quando é chegada a hora.

Nos anos entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontra-se com a Morte três vezes, e o fato de sair viva nas três situações fez com que a própria ceifadora de almas parasse para contar essa história. Ela trata a morte como algo natural, um fato que acontecerá para todos, e que não podemos evitar. Porém, conta que há para ela, uma distração. Pois ela precisa distrair-se dos humanos que ainda vivem, os que sobram. A Morte não pode tirar férias para distrair-se, por isso, usa-se das cores como forma de esquecer os sobreviventes, ou ao menos tentar. Na primeira vez que a Morte encontra Liesel, tudo era branco. O primeiro encontro ocorre durante a viagem que Liesel faz com a mãe e com o irmão para uma cidadezinha denominada Molching, nos arredores de Munique. Lá, ela passará a viver com o irmão sob os cuidados de uma nova família. Porém, a Morte leva o menino antes mesmo que pudesse chegar ao seu destino, e é durante seu enterro que Liesel rouba seu primeiro livro. “O manual do coveiro” é o estopim para uma busca desenfreada pelo saber das palavras. Liesel chega por fim à rua Himmel, onde passa a viver na casa de Hans e Rosa Hubberman.

O segundo encontro acontece anos após ela chegar à rua Himmel. Ocorre após a queda de um avião, nas proximidades da rua Himmel. A cor que a Morte enxerga nessa ocasião é o preto. Uma garatuja formando uma assinatura desordenada contra o céu cinzento. Liesel, nesse período, tem um amigo, morador da mesma rua, com o nome de Rudy Steiner. Era um garoto com cabelos cor de limão e olhos azuis esbugalhados. Fanático por Jesse Owens, tinha como objetivo conseguir um beijo de Liesel. Ela jurou que enquanto ambos estivessem vivos, ela jamais o beijaria. A Morte leva a alma do piloto do avião, e mesmo após anos passados, reconhece a menina. Mais uma vez, a roubadora de livros escapa desse encontro. Já a última vez em que a Morte encontra-se com Liesel, o céu tinha cor de sopa vermelha, borbulhante e móvel, “com migalhas pretas e pimenta riscando a escuridão”.

Em suma, “A menina que roubava livros” consegue tratar de diversos temas, de uma forma tão sutil, que é quase imperceptível à primeira leitura. Trata do nazismo, e da maneira como Hitler usou-se das palavras. Mostra a importância delas no mundo, e como elas mudam nossa vida, e também tudo à nossa volta, se soubermos utilizá-la ao nosso favor. O livro consegue tratar de assuntos densos e tristes com uma doçura tão grande que é impossível não se emocionar do início ao fim, e só temos vontade de largá-lo ao final, quando a Morte finalmente encontra-se com Liesel, dá a nós algo a se pensar. A existência humana, seus atos, suas palavras, as ações, muitas vezes descabidas que fazem para atingir seus objetivos. E eu, honestamente, partilho da mesma opinião de nossa tão temida ceifadora de almas:

- Uma última nota de sua narradora :  Os seres humanos me assombram.

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542745_435459219867726_1762437556_nAutora: Veronica Ferreira.
Sobre: Estudante de Letras, viciada em bons livros, fotos e música. Completamente apaixonada pela Irlanda e Inglaterra, sonha ainda conhecer a maravilhosa terra da Rainha. As palavras são sua vida, e não seria absolutamente nada sem elas.
Blog: www.theroadtoavalon.wordpress.com

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Comentários (2)

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  1. Paulo says:

    Sempre tive vontade de ler, parece ser interessante. Parabéns!

  2. Carolina says:

    Esse livro é lindo e concordo com você, ele trata de coisas tão horríveis de um jeito doce.

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